Primeiramente, Fica Temer



Por Basílio Carneiro
Jornalista e dirigente estadual do PT



Pode até chocar tal posição, mas essa é minha leitura. O Temer de 16/17, está pra Collor 91/92, com algumas diferenças contextuais. 

A eleição de Collor foi bem trabalhada, articulada, processada e potencializada até o triunfo final, pela mídia e setores conservadores/direita. Um candidato com uma única missão: derrotar o Lula. O que iria acontecer no pós-posse era apenas uma consequência, já que não existia um projeto para o país. Apenas o rótulo de "Caçador de marajás", dado ao então presidente. 

Acontece que, ao declinar na popularidade em pouco tempo de governo e exibindo uma postura pouco republicana, Collor dava espaço para o crescimento e vitória de Lula em 1994. 

A investida da direita logo foi repercutida na mídia.

Estava escrito em todas as avaliações que muito provavelmente Luis Inácio seria imbatível em 1994, já que a direita investira tudo em Fernando Collor. A direita estava previamente derrotada, e derrotada estava perdida, sem saída...

Ou melhor, havia sim, uma única saída: a saída de Fernando Collor de Melo e a aposta em um projeto emergencial capaz de sensibilizar as massas e impor uma derrota à esquerda.

Não deu outra. A palavra de ordem da mídia, “Fora Collor”, tomou conta das manchetes e das ruas, com movimentos sociais, partidos de esquerda e movimentos estudantis, embarcando na onda da mídia e de setores conservadores, tendo como vanguarda de massa a UNE.

O isolamento do presidente Collor foi célere, e junto com o desgaste e as reações das massas vinha um plano eleitoreiro e emergencial, para garantir uma nova ordem política e econômica capaz de salvar o projeto conservador, subtraindo o avanço da candidatura de Lula. A direita trilha agora o mesmo caminho, através de novos atalhos.

Neste momento, porém, mesmo com a democracia trincada pelo golpe na presidenta Dilma Rousseff, não podemos seguir o exemplo golpista.

Com o golpe, naturalmente Temer assume a presidência da República e implementa um golpe ainda mais duro, ao atacar frontalmente o direito dos trabalhadores, patrocinando o desmantelamento daquele Estado que estivera a serviço dos interesses da maioria dos brasileiros.

Bom, Michel Temer, recebeu um cheque em branco da maioria que pedia o Fora Dilma e a ascensão do golpista. Prometeu fazer diferente, e está cumprindo sua meta. Não enganou aqueles que defendiam a saída de Dilma Rousseff, já que nada prometeu. Apenas, repito, que ‘ia fazer diferente’.

Não podemos fazer da democracia uma mera vontade conjuntural. Dilma sofreu um grande golpe. Contra ela nada de provas que fundamentem sua saída. Apenas o chamado "calote eleitoral" enganou os brasileiros, mas isso não implica em impeachment, segundo a constituição. O golpe já estava consolidado, é fato. 

Cabe dizer que deixar o Temer concluir seu mandato não foi uma vontade nas urnas, mas uma vontade nas ruas. O povo brasileiro precisa provar do projeto que defendeu nas ruas, necessita sentir o que pediu.


Estão usando do mesmo expediente que usaram com Fernando Collor de Mello. A esquerda não pode, nem deve embarcar na onda da Globo.


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Comentários

  1. Muito boa a análise do companheiro Basilio!

    Pois é, e a pior tristeza é saber que essa pequena trégua golpista, de tanta sacanagem com o pobre povo, a partir da retirada de seus direitos, logo se acabará, com o fim dessa primeira féria "política", a base de caviar, as custas do povo brasileiro, que voltará a ficar a mercê de suas imorais negociações de votos na Câmara Federal e no Senado, com esse temeroso governo, extremamente antissocial. Deus queira que realmente possamos viver ao menos parte dos desejos de um Feliz 2018, menos crucial pra pobre classe trabalhadora assalariada e todo povo sofrido e oprimido, vítima de tanta bandidagem "política", a partir de corrupção.
    Que Deus nos Abençoe e a Luz do Seu Divino Espírito ilumine nossos passos, diante as tristes e possíveis trevas que possam cruzar este longo caminho, 2018.

    Paz e Bênçãos

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  2. não vejo nenhuma semelhança entre os governos collor e temer. vejo diferenças, a maior delas o fato de collor ter sido eleito enquanto temer assumiiu o poder através de um golpe oligárquico-midiático- parlamentar-neoliberal-imperialista. porém tb digo "fica temer" pq não acredito q maia no poder faria algo no sentido de reverter as perdas dos trabalhadores e da nossa soberania, ainda mais em um ano eleitoral.

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